CENAS & CENÁRIOS


(versos para (in)compreender
a solidão humana)

Fogem da lua os cavalos brancos de Dali
e vêm pastar na rua
os restos de fondue.

Rompem os círculos os relógios na primavera.
A consciência humana se desfaz
sob o sol de outras eras.

Há sinais de vida nos objetos.
Um homem invisível
vive na alma de um castelo.

Os mistérios perdem-se no karma.
Dali retorna insone
à noite de Gala.

A solidão é azul e secreta
como olhos fechados.
Um corpo feminino se desnuda e mira
o infinito
que penetra pelas frestas
das janelas.
O silêncio é branco e dói.
Uma estrela subverte a solidão.

[Alexandre Marino]